tem gente que encontra “Jesus”..
..eu encontrei minha consciência. tropecei nela em algum lugar entre esses dias de loucura que vivi; não foram os shows, não foram as drogas, não foram os problemas. foi acordar, já acordado; tudo para me ver, na minha frente, gritando que era hora de mudar.

tudo o mais que decorrer disso - minhas decisões, vontades, resignações e dilemas - eu resolvo comigo mesmo, baseado em meus próprios critérios, obstante do que os outros possam vir a achar. estou vivendo por mim mesmo e orgulhoso do resultado, até agora. não gostou? com o perdão da porra toda, foda-se.
“Falem bem ou falem mal, falando de mim tá massa” – Ok então, Paulo, vocalista da banda Os Rodgers, respeitosamente e armado só com palavras estou aqui pra revidar o soco que tu não hesitou em acertar na minha cara.
Aos fatos
Minha experiência com a cena underground catarinense data de 2001; ou seja, há 9 anos e desde meus 11. Venho, há um ano, me aventurando em cobrir eventos pelo estado. Posso dizer seguramente que, nesse tempo, fiz pelo menos vinte e cinco coberturas entre shows, workshops e festivais em não menos que dez cidades em SC e outras tantas fora. Sempre fui bem recebido e fiz várias amizades, que valorizo e muito, em vários focos da cena. Mas no dia 2 de outubro de 2010, em Joinville, a história não se desenrolou tão produtivamente.
Mesmo sem requisitar credenciamento, acabei entrando como staff da banda no evento – promovido pelo Sérgio, da Atômica Produções – e resolvi que faria alguma espécie de cobertura, reconhecendo a cena em Joinville e registrando a curtição que por lá tivemos. Pra deixar bem claro, como fez o grande Rubens em sua coluna online, o problema aqui relatado nada diz respeito à Touch, o Sérgio ou à Atômica Produções - para com os quais tenho bastante respeito e admiro o trabalho -, é uma questão isolada referente ao indivíduo já bem identificado ao longo do texto.
A banda Torneiras abriu a noite, seguida pela banda Rodgers – alvo da revolta contida nesse texto – e, por fim, os Helvéticos fazendo o enceramento da festa. Como é de conhecimento de muitos, ambas Torneiras e Helvéticos são bandas com quem tenho muita amizade. A tal da Rodgers eu desconhecia; mas mandou um Wolfmother afiado e o baterista, que assume os teclados da consagrada Reino Fungi, fez um show à parte. O único com quem papeei decentemente foi o guitarrista, cujo nome não me recordo, mas que foi bastante solícito e gente fina conosco ajudando num pequeno problema que tivemos antes de sair. Enfim, corta pra cena de todo mundo lá fora, perdido. Explicarei.
Quão errado é retribuir com um soco na cara quem pede informação sobre um membro da banda, perdido, que depende de carona pra voltar pra casa, a quase 100 km de distância? “A gente é mod, porra!”, acrescenta à agressão o vocalista (sic) mod, que toca de boina e óculos escuros à noite. Errado? Muito errado? Inaceitável?
Porque sim, foi isso que aconteceu. Segundo o agressor, Paulo “Rodgers”, uma réplica a uma suposta agressão verbal por parte de nosso amigo Marcelo, que estava presente para juntamente comigo fotografar a noite. Fato é que Marcelo estava sim comentando conosco sobre palhaçadas e, conseqüentemente, palhaços. Já abençoado pela cerveja, não mediu o volume do comentário, que acabou sendo interpretado como uma ofensa à integridade moral do indivíduo. Algo que foge completamente do nosso feitio, podem perguntar às tantas referências positivas que temos pelo estado. E ainda que fosse um comentário maldoso desse; o que é ser chamado de palhaço, quando se está fazendo palhaçada, pra quem se leva a sério demais? Sinto ser eu que devo te ensinar isso, meu amigo, mas não é assim que se constrói uma imagem positiva.
E foi assim mesmo: paramos o carro e de dentro dele perguntamos se haviam visto nosso amigo perdido pelo caminho, ganhando com isso primeiramente um soco direto na cara do motorista André – vocalista e guitarrista da banda Torneiras, de Itajaí – e num segundo momento, quando tentei argumentar, um na minha. Ele passou o domingo com a testa inchada, eu sem conseguir morder direito.
A réplica
É assim que tu resolves teus problemas? Virando um soco na cara? Teu superior fala em corte de custos e tu dá logo um soco na cara dele?
Ou, em outra análise… Se você acha que isso é uma maneira “mod” e decente de lidar com a situação, de interagir com gente que trabalha paralelamente contigo em prol dessa cena que tu tanto ajuda a queimar com atos como esse… Acho que é hora de rever alguns conceitos.
Não estou magoado nem indignado, como pensa nosso amigo Paulo “Rodgers”, estou é absolutamente de cara com tamanha falta de respeito.
Se estivéssemos vivendo em 1966 – sim, eu também conheço toda essa atmosfera cool que viste em Quadrophenia – ou tivéssemos não mais que 16 anos, a situação seria até compreensível. Parece que esquecem facilmente, num momento de pavio curto, que somos – ou deveríamos ser, pelo menos – adultos, profissionais, interagindo dentro de uma sociedade com leis e limites bem estabelecidos; e, quando tudo mais falhar, regidos pelo bom senso. Repito: não estamos em Quadrophenia. É 2010, Santa Catarina, Brasil. É gente que até então tava do teu lado, curtindo teu show e prestigiando um evento na tua cidade. Acho que somos grandinhos o suficiente pra resolver, seja o que for, na conversa. Como homens. Não vamos nos permitir agir como primatas, que tal?
Estamos de olho.
Léo Telles Motta, repórter e redator do portal Válvula Rock.
Música nova do Fall of Troy. Digo, Just Like Vynil………..
Comets On Fire - this is pure insane motherfuckin’ psych rock’n’roll! “Whiskey River”, do album “Blue Cathedral”.